domingo, 22 de maio de 2011

Futebol - Época 2010/2011 vista por um benfiquista


Em 7 Março escrevi neste espaço que o Benfica tinha comprometido a sua luta pelo titulo após derrota em Braga e expliquei algum dos motivos que levaram a uma epoca de fracasso. No entanto, o pior estava por vir....

Há duas formas de uma equipa perdeu um campeonato, como um digno vencido ou sem honra. A equipa lisboeta saiu derrotada do campeonato da segunda maneira, perdendo jogos fáceis e terminando uma época da pior forma (idêntica à que começou). O Benfica do final de época foi uma equipa amorfa, sem chama e com notória falta de brio. Contudo para perceber melhor o que foi esta temporada é necessário voltar atrás.
Jorge Jesus

Epoca 2009/2010, Jorge Jesus (JJ) venceu onde Quique Flores falhou, o Benfica da época passada foi uma equipa que "transpirava" confiança, uma equipa dominadora ao contrario do futebol "encolhido" do espanhol. JJ sem ser um grande treinador, conhece bem o futebol português e isso revelou-se fundamental nas provas internas (o facto de não ser um grande treinador como referi, foi demonstrado nas provas europeias da epoca passada para não falar da presente). JJ recebeu uma equipa formada durante as duas temporadas anteriores e reforçada por um Saviola sedento de futebol e por dois jogadores que se revelaram fundamentais para o equilibrio do futebol da equipa encarnada, refiro-me a Ramires e Javi Garcia. O técnico português ao merito já referido acrescenta-se outro, a motivação dos jogadores que contribuiu para a "explosão" de Di Maria e a "emancipação" de Fábio Coentrão (os dois mais flagrantes exemplos).

O Benfica do ano passado foi fulgurante e só não teve uma época de sonho porque faltou alguma rotina europeia à equipa (há muitos anos afastada dos momentos de decisão a nivel europeu) e a uma demonstração de falta de dimensão europeia do treinador que cometeu erros, ora ultrapassaveis (no jogo em casa com o Marselha demonstrou pouco conhecimento sobre o seu adversário) ora decisivos (no jogo em Inglaterra com o Liverpool, a passagem de David Luiz para lateral e a exclusão de Fabio Coentrão abanou com a estrutura defensiva da equipa).

O Benfica arrancou para esta época tal como terminou a anterior, em euforia. Uma euforia perigosa.

Há uma forma de estar benfiquista, uma cultura que já vem de decadas atrás mas que a actual direção tem cultivado graças a um discurso populista. Trata-se de uma espécie de um orgulho megalómano (um pouco à imagem da forma de estar portuguesa) que se fundamenta essencialmente no seu passado glorioso e que tolda a visão sobre a realidade do seu presente. A esse orgulho junta-se o facto de o Benfica no ano passado ter sido uma equipa vencedora no ano passado o que levou a que o staff (direcção e equipa técnica) surgisse, no inicio da pré-temporada, de peito cheio (ou inchado de orgulho). O que levou a cometer uma serie de erros estratégicos. Afinal de contas, "o maior clube do mundo", o tal clube que participou em 7 finais da Taça/Liga dos Campeões e que tem cerca de 6 milhões de adeptos acabara de vir de uma época de (quase) sonho.

Roberto
Confesso que pela bagagem (leia-se titulo) trazida da época anterior tinha o meu clube como principal candidato ao titulo para esta época, mas não deixei de registar algumas situações que na altura me causaram alguma confusão e apreensão. Não me refiro à venda do argentino Di Maria (porque era uma venda que se previa) mas ao facto de o staff não ter preparado a sua sucessão (além de não terem contratado um extremo o unico jogador que fazia parte dos quadros do clube com esse perfil foi emprestado, refiro-me a Urreta). Refiro-me ao facto de venderem um jogador com a qualidade do Ramires por um valor irrisório e não terem contratado nenhum jogador com esse perfil, talvez contando com Rubem Amorim. Refiro-me a alguns negócios suspeitos de onde destaco a compra e emprestimo relâmpago de Rodrigo (que segundo divulgado não custou menos do que 6 milhões de euros). Não fui dos que embadeirei em arco com os resultados conseguidos na pré-temporada contra equipas da segunda linha europeia.

O gongo de alarme soou com a derrota na super-taça contra o F.C. Porto mas mesmo assim o staff benfiquista, inchado de orgulho e arrogancia, pareceu não levar em conta o aviso.

Compare-se o onze base da temporada passada (Quim; Maxi, Luisão, David Luiz, Fabio Coentrão; Javi Garcia; Ramires, Aimar, Saviola e Cardoso) para esta (Roberto; Maxi, Luisão, David Luis/Sidnei/Jardel, Fabio Coentrão, Javi Garcia; Salvio, Aimar, Gaitan; Saviola e Cardoso) e a que conclusões chegamos:

- Perda efectiva e decisiva em eficacia na defesa da baliza da equipa encarnada.

- Irregularidade no eixo defensivo. A ideia de vender um jogador basilar (D. Luiz) a meio da temporada não é para qualquer um. O presidente benfiquista já deu provas que é capaz de coisas boas mas também de erros primários.

- Perda de equilibrio defesa/ataque no meio campo da equipa. Nem Gaitan (no Boca jogava à frente de Riquelme e atrás do ponta de lança), nem Salvio têm caracteristicas que lhes permitem contribuir para o equilibrio defensivo que Ramires conseguia emprestar. Não raras vezes via-se no meio campo encarnado um fosso entre o medio defensivo e os três jogadores que jogavam á sua frente. A equipa passou a defender pior do que no ano passado e a ser mais surpreendida pelos adversários nas suas transições defensivas.

Além das mudanças de jogadores houve outros factores decisivos:

- Alguns jogadores fundamentais começaram a temporada completamente fora de forma, ou tiveram uma temporada altamente irregular. Falo de David Luiz que começou mal a epoca até que foi vendido quando estava em curva de forma ascendente. Refiro-me a Saviola que começou mal e acabou pior, embora a meio da temporada tivesse tido uma fase apreciavel.

Cardoso
- Outros jogadores frustados por não serem transferidos na pré-epoca e conseguirem algum contrato milionário, ficaram-se pelos serviços minimos (abaixo dos minimos seria o termo mais correcto). O caso mais flagrante foi o de Cardoso (foi frustrante para mim como adepto da equipa assistir às prestações do paraguaio; não corria, desistia dos lances facilmente, demonstrava zero de disponibilidade em prol da equipa). O mais curioso é que este jogador continuou com a sua titularidade sem ser beliscada.

- Jorge Jesus errou mais do que no passado e muito mais que o seu adversário directo. Já não me refiro ao planeamento na pré-epoca mas sim aos erros em campo.

Enquanto isto o F.C. Porto começou o campeonato sem grandes exibições mas conseguindo bons resultados, ainda que em alguns dos primeiros jogos as arbitragens erraram com notório ganho para a equipa portista. O facto é que os resultados trouxeram confiança à equipa que foi crescendo ao longo da temporada até terminar numa forma absolutamente avassaladora. Qualquer comparação que se tente fazer entre a equipa tripeira e a alfacinha neste final de época é brincadeira de mau gosto ou pura ficção.

Grande derrotado desta época acabou por ser o Benfica atendendo que o Sporting nunca gerou grandes expectativas. Menção honrosa para o Braga que apesar de no campeonato ter ficado longe do segundo lugar granjeado na epoca anterior teve uma prestação europeia altamente meritória. Não é qualquer equipa que vence Sevilha, Arsenal e Liverpool (não é Jorge Jesus?).

Findo a época merece realce das primeiras noticias sobre o SLB e o planeamento para a próxima época alguns pormenores curiosos e que suscitam algumas questões que revelam as incongruências que ocorrem no seio do clube da Luz:

- Os dois guarda redes mais utilizados na epoca que finda (RobertoJúlio César) são dispensados. Então, se são dispensados e Moreira fica é porque o staff (treinador incluído) acredita que são inferiores ao guardião português. Se é assim porque foram mais utilizados?

- É cada vez mais claro que o futebol profissional benfiquista é dirigido pela dupla Jorge Jesus/Luís Filipe Vieira o que leva a uma questão: Qual o papel de Rui Costa na estrutura do clube?

Saudações desportivas

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